Uma Noite Normal

Uma Noite Normal

No dia de hoje, faz duas semanas e dois dias que isso aconteceu. Domingo à noite, culto. Foram pregados Efésios 5, 2 Timóteo 4 e Oseias 4.

Não tivemos ceia. Antes de a Palavra começar, foi anunciado que teremos nossa ceia no dia 8 de novembro, na Praça de São Gabriel, em um culto ao ar livre. A ideia é levar comida para quem estiver na rua e, principalmente, abraço para todos.

Até aí, tudo normal.

Durante a Palavra, porém, foi anunciado que havia um Fox preto parado na frente de uma garagem.

Na mesma hora, eu já sabia que era o meu. O único Fox preto da igreja é o meu.

Saí correndo, no meio do culto mesmo, para tirar o Fox da frente da garagem de quem quer que fosse. Eu o tinha colocado em frente a uma espécie de aba, onde, aparentemente, não havia espaço suficiente para entrar um carro.

Ou assim eu pensava.

Depois que tirei o carro de lá — e descobri que aquilo era, de fato, uma garagem —, estacionei-o embaixo de um poste. Para chegar até a iluminação, ainda dei uma volta na quadra.

Foi nessa volta que vi o sereno.

Mas não dei muita bola, porque o culto ainda estava acontecendo. E eu não iria perdê-lo.

Quando o culto estava terminando, já no fim da última ministração, inesperadamente o pastor começou a falar conosco do púlpito. Eu estava mais para trás, por causa do som alto e do calor que estava fazendo ali na frente, então fui me aproximando, mesmo sem entender direito o que estava acontecendo.

Até que ouvi:

“…oremos pelos Bertol.”

Na hora pensei:

EITA. É COISA SÉRIA.

Fui lá para a frente também.

Então nos foi dito que seríamos o início da Igreja de Cristo Filadélfia em Rosário do Sul. Já havia, inclusive, uma equipe sendo designada para lá, com o Pablo, atual líder dos jovens, que será pastor, e outros irmãos cujos nomes não me recordo.

Foi uma daquelas situações em que você está no culto e, de repente, percebe que algo muito maior do que você está acontecendo.

Quando o culto acabou de vez, fui até o carro.

Foi então que percebi outra coisa.

O sereno ainda estava no vidro.

Mesmo com o carro tendo ficado embaixo de um poste, aquilo não tinha secado, derretido, ou evaporado; não sei a física correta deste fenômeno natural tão comum aqui no sul. Mas… aquilo não fazia sentido, seja lá qual fosse o nome correto, o sereno continuava lá.

Então estacionei o carro em frente à igreja para descobrir o que estava acontecendo. Graças a Deus, o pastor e mais dois irmãos ainda estavam lá e se dispuseram a ajudar.

Foi aí que o irmão que trabalha com automotiva olhou e deu o diagnóstico:

Não era sereno.

Era tinta. Tinta spray.

E, aparentemente, alguém tinha decidido transformar meu Fox em uma obra de arte contemporânea.

Fomos atrás de produtos para tentar limpar o para-brisa e, depois de mais ou menos uma meia hora de trabalho coletivo, conseguimos tirar a maior parte da tinta do vidro da frente do carro.

O vidro ficou um tanto arranhado, mas pelo menos dava para enxergar.

A essa altura, o restante da família já tinha ido embora.

Então, finalmente, pude pegar o carro e ir para casa.

No fim das contas, fui ao culto, ouvi a Palavra, descobri que nossa casa seria a sede da Igreja de Cristo Filadélfia em Rosário do Sul, bloqueei uma garagem sem saber, troquei o carro de lugar no meio do culto e terminei a noite esfregando tinta spray do para-brisa.

Uma noite absolutamente normal.

P.S.: Na quarta-feira, 14 de outubro, aconteceu o primeiro culto da célula em Rosário do Sul. Começou. E a ceia na praça continua de pé: 8 de novembro, culto ao ar livre na Praça Fernando Abbott de São Gabriel. Se estiver por perto, aparece. Abraço tem de sobra.


Uma Noite Normal — crônica. Mais em Crônica, e o índice completo no Acervo.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *